CASOS INSOLÚVEIS

Teatro das Cabras

 

O Teatro das Cabras apresenta sua primeira exposição de fotografias caseiras, experimentais e híbridas, parte de suas pesquisas sobre a composição de imagens para a cena. Em meio ao ano alucinado de 2020, instaurada uma situação de pandemia somada a um quadro político de desmontes e desesperanças, seis artistas trocam cartas entre si para mover algo em meio a interdição e o isolamento.

01 de junho de 2020 “Essa carta é uma espécie de convocatória, ou talvez um manifesto, mas poderia também ser facilmente uma página do meu diário com marcas de lágrimas e desespero no papel” [Heloísa]. “Eu odeio, ODEIO, essa vida virtual baseada em lives e aulas e apresentações por Zoom, meus olhos ficam cansados, eu me sinto viajando durante essas coisas e quando volto a mim a coisa já tá acabando ou o palestrante ainda está falando sobre a mesma coisa - sobre si” [Fernanda]. “Eu tenho um not MUITO VELHO EM CASA q uma amiga deixou comigo e foi morar em outra cidade, ele não tem word e o teclado não sei colocar as acentuações, então ignorem a falta de algumas delas” [Cléo]. “Meninasss, sou sempre atrasada né haushsu mas li as cartas agora e, se vocês não se importarem, prefiro mandar áudio, já que falo muito melhor que escrevo haushsu. Áudios de 3 minutos e 25 segundos, outro de 49 segundos” [Luiza]. “Aproveito a insônia e peço perdão pela demora para dar um retorno, meu telefone não tinha os aplicativos necessários para ler todas a cartas” [Thuyza].

A partir de uma pesquisa sobre criação em fotoperformances, três atrizes criam as figuras da Mulher Abortiva, Mulher Nua e Mulher Urgente após realização de um teste de patologia do Ursinho Pooh disponível na internet. Essas figuras compõem nossos estudos de “Casos Insolúveis” e impulsionaram a criação de textos por Fernanda Cunha, que se estruturaram como relatos de dias, traumas, ânsias e desejos dessas mulheres. Eu e Luiza Saad dirigimos a criação de séries de fotografias com as atrizes a partir desses materiais, explorando a composição de imagens que materializassem visualmente essas figuras. O que está exposto, portanto, não são apenas fotoperformances em si, mas composições em fotografia que atravessam processos de criação no teatro característicos das artistas envolvidas, como a elaboração de dramaturgias, figuras e suas narrativas, cenografias e outras possibilidades entre paródias, montagens e colagens. E como todas as outras pesquisas que nos atravessam, “Casos Insolúveis” nos instiga na questão que nos move: o que essas imagens nos oferecem para criação de teatros?

Com recursos da Lei Aldir Blanc Rio Grande do Norte, Fundação José Augusto, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Secretaria Especial de Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal, a exposição virtual é disponibilizada junto com um ciclo de conversas intitulado Dissecação de Processo, onde as artistas partilham com o público suas pesquisas para a criação das séries. Todas as fotografias foram realizadas pelas atrizes envolvidas no processo de criação, cada uma em sua própria residência e com os materiais disponíveis em suas casas, respeitando assim as medidas de isolamento social necessárias ao período vigente de pandemia.

Heloísa Sousa

ALERTA DE GATILHO:

As imagens e textos contidos na série “Casos Insolúveis” remetem a transtornos psicológicos variados e contém representações de autoflagelação, agressividade, abandono parental e traumas, podendo disparar sensações de angústia e ansiedade em algumas pessoas.

Mulher poderia ser verbo, mas a loucura captura tudo o que nasceu pra ser ou tornar-se mulher.  Homem, por sua vez é pronominal, nomina e substitui identidades na criação de uma ficção de poder e capturarão de forças pra si. Tecnologias de controle não estão disponíveis apenas em microchips e tubos de ensaios, há tecnologias de controle e captura no ato de nomear. As palavras são sistemas de categorização de imagens, sons, sensações... A imagem é anterior a palavra e é forma de sensação. Fotografar o barulho de um corpo que se rebela contra a docilidade é parir ficções de reinvenção e abortar realidades de poder. 

Um surto consciente, circunstancial e impagável. Aqui não se apresentam buscas, ou respostas, a questão e o problema são conhecidos, embora ignorados por seus inventores, mas não há solução, é como conter um grito e todo fôlego de uma cidade inteira dentro de um saco plástico, o plástico queima e derrete com uma beleza melancólica pingando gotas que logo petrificação. A retórica é romântica e eu sei que você foi educado para aplaudir no final. Não há o que aplaudir, não é pra entreter, alentar, resolver...

Franco Fonseca

FICHA TÉCNICA

Direção e curadoria

Heloísa Sousa e Luiza Saad

Criação de Dramaturgia

Fernanda Cunha

Fotografias e performances

Cléo Morais, Fernanda Cunha e Thuyza Fagundes

Material gráfico

Luiza Saad

Diagramação do Site

Luiza Saad

Produção executiva

Nathalia Santana

Assessoria de Imprensa

Luciana Oliveira (Sollar Comunicação)

Agradecimentos

Carol Macedo, Gabriela Marinho e Camélia

Cléo Morais

Cléo Morais é licenciada e teatro pela UFRN. Atualmente trabalha como iluminadora, atriz, bailarina e também a proprietária do sex shop @eu.tangerina.

Fernanda Cunha

Fernanda Cunha é atriz, dramaturga e pesquisadora, mestre em Artes Cênicas pela UFRN e uma das fundadoras do Teatro das Cabras. Faz podcasts, lives e experimentos visuais. Não sabe o que é descanso e vive porque faz arte.

Heloísa Sousa

Heloísa Sousa é encenadora, crítica de teatro e pesquisadora. Licenciada em Teatro e mestre em Artes Cênicas pela UFRN, atualmente é doutoranda em Artes Cênicas pela USP. É uma das fundadoras do Teatro das Cabras e editora do site Farofa Crítica.

Luiza Saad

Luiza Saad é designer formada pela UFRN e atualmente estuda Cenografia e Figurino na SP Escola de Teatro. Suas três grandes paixões são o design, o teatro e o audiovisual e tudo que essas três áreas podem criar quando misturadas.

Nathalia Santana

Nathalia Santana é produtora cultural, atua profissionalmente há 13 anos e desenvolve projetos em diversos segmentos artísticos. Trabalha também com direção criativa, comunicação e marketing nas áreas da cultura e do entretenimento.

Thuyza Fagundes

Thuyza Fagundes é potiguar, atriz, performer, musicista e entusiasta da arte em suas diversas vertentes. Graduada em Licenciatura em Teatro pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.